Voltando hoje do almoço, passei por uma nova loja de móveis aqui na rua do trabalho, a João Ramalho, em Perdizes (SP).
O espaço não tem luxo e na verdade nem parece loja. Parece mais uma tapeçaria de bairro, daquelas que o carro da entrega fica dentro do estabelecimento, junto com os móveis, os funcionários e os clientes. Nada de requinte.
A loja antes vendia móveis de jardim, aqueles de material econômico, que imitam ratan. Era arrumadinha, cheguei a considerar uma espreguiçadeira lá para a Cabana, mas não rolou.
Daí que a loja fechou e hoje vi que tem outra no lugar. Como é tudo muito despretensioso, bati o olho sem prestar muita atenção. Gostei do que vi e comecei a reparar mais. Simplesmente estava largada ali, quase na calçada, uma Mole (Sérgio Rodrigues, 1957) original, recém-reformada, com todo o charme do couro preso num estiloso capitonê, que ao mesmo tempo dá aquela sensação boa de conforto em uma peça resistente.
Adiante outras cadeiras famosas, todas anos 1950-1960. O moço do local, que estava descarregando os móveis, acompanhado do seu filhinho sem camisa, com aquela cara de moleque do Ronaldo e barrigão de criança, respondeu feliz que a cadeira custava R$ 9.500.
Uma pequena fortuna. Ele certamente sabe a importância da peça, a história e o desejo que ela desperta. Claro, ficou animado ao ver meu interesse. E deve ter ficado mais ainda ao perceber que eu nem reclamei do preço. Vale cada centavo... uma pena eu não ter para pagar.
E agora tô sentada aqui na minha mesa, ao lado do janelão, admirando de longe a Mole do seu Sérgio Rodrigues largadona nesse calor...
Olha ela bonitona aí.
Olha o Sérgio Rodrigues largadão na poltrona
Rapidinha: o Sérgio Rodrigues é sobrinho do Nelson Rodrigues [dramaturgo] e do Mário Filho [que dá nome ao Maracanã], filho do Roberto Rodrigues [aquele ilustrador genial, que foi assassinado aos 25 anos, em 1929, dentro da Redação da "Crítica"], neto do Mário Rodrigues. Ele é chamado de o "criador do móvel brasileiro". E pelo DNA criador-do-Brasil que carrega, deve ser mesmo.