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27 de mar. de 2009

Ciambellone, Casatiello

Quando minha avó me contava como era a Páscoa na colônia, eu imaginava uma cena assim:


Foto de Rave_n

Mulheres caladas e sorridentes de um lado para o outro numa cozinha bem rústica da roça fazendo massa de pão doce. Ela dizia que, durante a Quaresma, eles ficavam mais quietos e para comemorar a Páscoa faziam roscas com ovos para presentear os vizinhos.


Ciambella e Gente di Sardegna

Eu não entendia muito bem essa parte. Pra que tanto trabalho para presentear os vizinhos? Justo os vizinhos! E enquanto ela andava de um lado pro outro, com o cabelo preto salpicado de farinha, e desviava de mim, que ficava grudada entre suas pernas, pedindo para mexer na massa, para cutucar suas varizes, para colocar seu avental e implorando para fritar as fogazzas (coisa que nunca fiz até ter uns 15 anos...), ela explicava que era isso a Páscoa. Presentear os amigos, agradar quem vivia por perto e dava duro na roça de sol a sol.

Ela era a filha que não ia pra roça. A sinusite não permitia. O sol forte na plantação de cana dava enxaquecas horrorosas. Por isso a ela restava o trabalho na cozinha. Entre o fogão à lenha e a pia. Entre os ex-escravos que ajudavam na lida da casa. Por isso também ela incrementava a culinária italiana com a comida brasileira. E depois foi com a mineira, com a lituana e com a espanhola. O menu lá de casa tinha Puchero com couve e torta de palmito.

Felizmente nasci numa Sexta-Feira Santa. Adoro a Páscoa. Adoro presentear. E sinto uma falta danada dessa senhora que sabia tudo sobre a arte de agradar sem esperar nada em troca.

Feliz Páscoa, vó!


Tia Lidia, mãe (bebê) e vó Pracilia Gatti






PS: Eu não tenho receitas dessas guloseimas de Páscoa! Vc tem? Manda pra mim!


22 de mar. de 2009

Sanduíche da Cabana

Faz um tempo já, fui levar a Lu para conhecer o Pasquale e como entrada pedimos as tradicionais burrata e linguiça seca. Estávamos comendo normalmente quando descobrimos que uma folhinha de manjericão fazia toda a diferença para a combinação que até ali estava boa. Mas com manjericão ficou maravilhosa. A erva aliviava a gordura da linguiça, que acabava misturando muito levamente com a cremosidade da burrata. Genial.





Pensando nisso (e depois de dias de almoços ruins), decidi que o que eu tenho vontade de comer quando chego à noite lá na Cabana é um bom sanduíche de burrata, linguiça seca, manjericão fresco, azeite e ciabatta. Tudo na temperatura ambiente, menos o pão, que pode estar um pouco aquecido. A linguiça pode ser substituída pelo presunto parma, claro... mas aí já penso em tomate, mostarda e outros temperos.


Para acompanhar? Uma que sempre tem na geladeira da Cabana, a Baden Baden Red Ale (a Gi também concorda comigo). O Roberto, do blog do B.O.B., e a pessoa que mais entende de cerveja que eu conheço no mundo (eu sou bem mafiosa quando é para elogiar os amigos amados), sugere a Dunkel ou a Strong Goldenale ou a Rauchbier, as três da Eisenbahn. Mas como a Cabana está em Campos, Gi e Rô achamos que a 1999 da Baden Baden pode casar ainda melhor. Fechou.

Fórmula do Sanduíche da Cabana: 1999 + azeite + burrata + ciabatta + linguiça seca + manjericão


PS: Burratas chegam frescas às quartas no Pasquale. Olha a matéria do Paladar aqui